A história
O tempo de uma pausa, a Mesa da Sèna
Como nasceu a Sèna Sublime
Sempre me apaixonei pelas receitas, de qualquer canto do mundo. Lembro-me de ficar literalmente fascinada pelas cores e pelas combinações.
Os meus amigos adoravam vir comer a minha casa. Diziam-me: «Sabemos que vamos provar algo que nunca provámos.» E no fim da refeição chegava a pergunta incómoda: «Quando é que abres um restaurante?»
Achava-os a todos demasiado sérios com o assunto: um ofício, uma paixão. Porque é que se havia de saber o que se quer aos 22 anos? Eu não sabia. Ou talvez soubesse — sabia o que não queria. Experimentei o restaurante com duas das minhas tias que tinham um. Detestei a experiência. Repetitivo demais.
E depois, em janeiro de 2025, ao fim de anos longuíssimos, tudo começou a ganhar forma. Sobretudo durante aquela gravidez, a quinta. O meu corpo já não respondia: cansaço a mais. Tinha um único desejo: ouvir canto gregoriano e rezar o terço. Fim da meditação, fim das visualizações. Nada que viesse de outro lado. Tudo me devolvia às minhas origens. Sentia-me muito calma, em paz.
E foi aí, finalmente, que a pude ouvir — aquela voz, uma mulher da linhagem que tinha quebrado todos os códigos. Dizia:
— E se fizesses uma pausa?
— Não sei se estás mesmo a olhar, mas estou em plena pausa. Com este bebé não há maneira de fazer outra coisa. Acho que perdi a cabeça. Eu, que me sentia desfeita, completamente desesperada. Como é que vou conseguir?
— Tenho a impressão de que te estás a desenrascar muito bem. Pareces-me calma e em paz. O teu corpo recusa-se a tomar o caminho de antes.
— Que caminho?
— Sofrer, correr, não te ouvires. Ser produtiva.
— Não é isso que é preciso para vencer?
— Sei que já tens a resposta. É o que estás a fazer agora.
— O quê, Ma?
— Estás a fazer uma pausa. Como o molho que se cozinha em lume brando. Leva o seu tempo, deixa que os ingredientes se ligam por completo.
— Eu não chamo a isto uma pausa. Foram precisas décadas.
— Deixa as especiarias marinar o peixe desde a véspera, o peixe só fica mais saboroso.
— Desde a véspera? Para mim, toda a minha vida foi essa véspera.
— O mundo apressa-te. Vai depressa, corre, é urgente. E, no entanto, esperaste com coragem. E o que aconteceu, segundo tu?
— O projeto ultrapassa tudo o que eu imaginava. Adoro-o. Reúne tudo aquilo de que gosto: a cozinha, o design — a combinação das cores —, o amor pelas línguas, a maternidade, as crianças.
— Estás pronta. Já não há obstáculos. Precisavas de certas experiências para que isto pudesse ser realizável.
— Queres dizer, ser mãe?
— Isso, e outras coisas mais. Tens o direito de encontrar a tua voz muito mais tarde do que os outros. O essencial é encontrá-la. Como gostas de correr, agora vais poder voar…
— Não falavas de uma pausa?
— Saberás parar quando for a altura, não é?
Foi entre duas panelas que comecei a escrever. Entre um molho que borbulhava e uma criança que reclamava. Não num escritório, não em frente a uma página em branco, não no silêncio que se imagina necessário para qualquer obra. Mas ali, em pleno barulho, em plena desordem, entre as coisas que transbordam e os pratos que não saem.
Percebi que era precisamente ali — e em mais lado nenhum — que nascia o que eu queria dizer.
Dessa constatação nasceu a Sèna Sublime. Uma editora digital onde a filosofia deixa de se opor à cozinha, onde a maternidade deixa de ser inimiga do pensamento, onde o quotidiano mais banal se torna o lugar de toda a revelação. Seis livros em preparação, cada um nascido de um gesto de cozinha e de uma verdade de mesa.
A mesa da Sèna não é um móvel. É um lugar sem paredes onde deposito aquilo que aprendo, aquilo em que hesito, aquilo que transmito. Sê bem-vinda.
Sèna
Para entrar mais fundo na filosofia que funda esta casa, lê A minha história.
Para descobrir os seis livros em preparação, a coleção está aqui.