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Hipersensibilidade ao ruído nos pais: primeiro sinal de fadiga nervosa e de burnout parental

Os decibéis, a sua sensibilidade e a saturação.

5 min de leituraSèna Gay-Vigan

Ah, estas queridas crianças e a sua alegria de viver! Como dizer? Uma das suas formas de expressão preferidas são os gritos. Conhece a expressão «gritos de alegria»? Sim, é precisamente isso: não é o riso, é o grito que exprime tudo e mais alguma coisa.

No início, tem muita graça. Sorri muitas vezes. Pensa: «Ah, que vida que eles têm!»

Depois, tem vários filhos. Dia após dia, o seu cérebro começa a detetar ameaças assim que eles falam. Parece-lhe que falam demasiado alto… E torna-se muito intolerante ao ruído.

Não é um defeito de feitio

Um dia, o ruído de um talher a cair atravessa-a como um alarme. Uma pergunta repetida três vezes seguidas faz-lhe cerrar o maxilar. Censura-se por ser impaciente, por já não saber apreciar os seus próprios filhos. Lembra-se daquela mãe que admirava, sempre calma em todas as circunstâncias, e pergunta-se o que há de errado consigo.

Não há nada de errado. Aquilo que toma por falta de paciência parece ser, antes, um sistema nervoso que já não tem margem.

O que os seus ouvidos já não conseguem filtrar

Um grito de criança tem tudo para cansar: é súbito, imprevisível, agudo, e não espera que acabe de pensar. Com vários filhos, repete-se dezenas de vezes por dia, sem uma verdadeira pausa entre um e outro.

E não há só os gritos. Há também as perguntas feitas enquanto tenta pensar, as duas vozes que se sobrepõem quando está ao telefone, a musiquinha do brinquedo que teima em não se calar, o passo pesado na escada, a porta que bate, a colher a raspar no prato. Numa casa com crianças, o silêncio é um intervalo, não o ponto de partida.

O seu cérebro está preparado para prestar atenção aos sons súbitos: é um antigo reflexo de sobrevivência. Trata cada ruído como um possível sinal e decide depois se é importante. Multiplicado por cem ao longo do dia, este trabalho torna-se esgotante, mesmo quando nenhum ruído é grave.

Resultado: o seu cérebro já não tem tempo de abrandar. Mantém-se alerta, pronto a reagir, mesmo quando tudo está calmo. É por isso que um som banal — um talher, uma pergunta — pode desencadear uma reação intensa. Não está a reagir àquele ruído. Está a reagir a todos os anteriores, cujos vestígios o seu cérebro nunca teve tempo de arrumar.

A espiral invisível

Há algo ainda mais insidioso. Quanto mais o seu sistema nervoso se cansa, mais sensível fica ao ruído. Quanto mais sensível fica, mais os sons do dia a dia a irritam. Quanto mais irritada está, mais se culpa. E quanto mais se culpa, mais o seu corpo se mantém tenso e mais a fadiga nervosa se enraíza.

Este círculo é tanto mais difícil de identificar quanto é socialmente invisível. Fala-se da falta de sono, das tarefas domésticas, da carga mental. Fala-se pouco desta erosão sonora que, no entanto, pesa tanto. À sua volta, os outros pais parecem aguentar. Muitos vivem provavelmente o mesmo, também sem lhe dar um nome.

Quando o ruído se torna um sinal

A fadiga parental não se resume à falta de sono. Existe também uma fadiga nervosa, feita de solicitações que se acumulam. Instala-se em silêncio (que ironia), até ao dia em que o mais pequeno som já é demais. Esta intolerância não é a causa do esgotamento. É um dos seus primeiros sinais e faz parte das razões pelas quais tantos pais acabam por chegar ao burnout.

Reparar nisso já é uma informação preciosa: o seu corpo está a dizer-lhe onde fica o seu limite.

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Perguntas frequentes

Porque se torna intolerante ao ruído quando tem filhos?

Não é um defeito de feitio. O cérebro trata cada som súbito como um sinal a avaliar. Com vários filhos, esse trabalho torna-se permanente e o cérebro mantém-se alerta, pronto a reagir, mesmo quando tudo está calmo. Um som banal pode então desencadear uma reação intensa.

O que é a fadiga nervosa parental?

Uma fadiga que não se resume à falta de sono. Vem da acumulação de solicitações sensoriais — gritos, perguntas, vozes que se sobrepõem — que o sistema nervoso já não tem tempo de assimilar. Instala-se em silêncio, até ao dia em que o mais pequeno som se torna insuportável.

A intolerância ao ruído é um sinal de burnout parental?

É um dos seus primeiros sinais. Não é a causa do esgotamento, mas um indicador de que o sistema nervoso já não tem margem. Reconhecê-la cedo permite escutar esse limite antes de o desgaste se aprofundar.

Porque pode um ruído banal — um talher, uma pergunta — desencadear uma reação intensa?

Porque não reage apenas àquele ruído. Reage a todos os sons anteriores, cujos vestígios o seu cérebro não teve tempo de arrumar. A reação intensa é a soma do dia inteiro, concentrada num último som.

É normal deixar de suportar os gritos dos seus próprios filhos?

Sim, num contexto de fadiga nervosa crónica. Não há nada de errado consigo. É o sinal de um sistema nervoso que já não tem margem, não de falta de amor ou de paciência.

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